sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013

ESCOLHA




Lá fora a luz é tênue
As nuvens corrompem qualquer resquício do sol...
Faz frio, tem névoa
e os espíritos maus rondam as almas benditas
que se deixam envolver pelo breu.
Minh’alma está entre aquelas
que se fazem a própria luz,
deixando por onde passam
uma gotinha de brilho
guiando aqueles que querem
apenas seguir com a sua cruz.
Eu não desfaço daqueles que temem
muito menos dos que não tem fé.
É uma escolha:
Ou se planta sorrisos,
ou então se desdobra em suspiros
na lamentação do que não se é.

Daniela Reis

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

LUZEIROS

Se eu tivesse que optar
entre viver por viver
ou ainda me machucar
preferiria andar por entre os cacos,
pisar na brasa, sangrar no aço
do que me subjugar aos tolos.
Não é orgulho nem vaidade.
Não é escárnio.Não sou ambígua!
É um perceber da realidade que me afunda
que me distrai do passo lento,
da caridade,
do amor... Da pura e simples liberdade.
Tolos, impuros, vazios...
Sem sentimentos
me afundam em seus breus
e apagam meus luzeiros.
Entre viver por viver
ou ainda me machucar
prefiro ser pura luz, ser diferente,
ser a guia a me guiar,
e em meus passos vou clareando
quem meu caminho atravessar.


Daniela Reis



sábado, 26 de janeiro de 2013

ESPELHOS


Teus olhos me refletem
mas não conseguem me ver.
Refletem minha alegria crua
minha sensibilidade,
meus medos e anseios,
mas não veem o caos que se instala sem rodeio.
Teus olhos me refletem
mas não conseguem me ver...
Talvez pela pureza que se abala,
talvez pela moral que me arrebata...
Se eu pudesse quebrava os espelhos
limpava as luzes
acendia os braseiros.
O que reflete em teus olhos
é distorcido pelo que sentes
e o sentir que te assusta
só se revela com o tempo.
Teus olhos me refletem
mas não conseguem me ver.
Acordo no quarto de espelhos
sozinha e sem nenhum apego.
Então percebo...
É você quem está no reflexo.

Daniela Reis

CAIXINHA DE MÚSICA

Voltaria então
voltaria mais tarde
já que a porta se fecha
e o coração não faz alarde.
Esperaria então...
Esperaria pelo dia 
em que os olhos enxergassem
e em que as verdades fossem ditas
sem nenhuma maquiagem.
Ela só teme pelo tempo
outra vez voraz e tênue, 
que calcifica os sentimentos
e então distorce os pensamentos.
Mas ela espera,
e ela volta.
E quem sabe um dia
ao bater à porta
ele não tema o seu sorriso...
E quem sabe, não tão distante
um novo tempo se levante
sem os resquícios das mágoas
de um passado intolerante.


Daniela Reis

segunda-feira, 31 de dezembro de 2012

SE



Seria mais simples então
ela havia decidido.
Não esperaria mais nos finais de tarde,
não esperaria mais a noite.
Não atentaria pra cada palavra dita por ele
nem procuraria sinais em cada gesto.
A inércia amortece.
Inerte, sem expectativas, nem nada.
Sentimento exposto apenas, amor livre,
apenas deixando viver o que a vida permitisse viver.
Parece simples, não?
E seria se a saudade não fosse mais forte.
Se não fizesse acordar no meio da noite,
se não rendesse suspiros
de querer parar o tempo por alguns instantes.
O que fazer então? Voltar a esperar? Seguir sem ação?
Correr sem destino, sem direção?
Ah! Se ele soubesse...
Quantas vezes ela quis estar.
Apenas ESTAR.
Mas de nada adianta sentir então... Se a vida não lhe permite amar.


Daniela Reis