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domingo, 21 de abril de 2013

DO AMOR





Tão simples,
Singelo...
Quão temente por ti espero!
Ambígua luta
que em disparate,
revira as lendas,
afetos...
De tudo aquilo
já antes desperto.
Amor,
de luxúria,
de laboriosa censura.
Dele estende a ti
meus quereres mais ousados,
meus desejos rebuscados
já de outrora desejados.
De singelo basta o sol
que tão simples desenhado
reflete o amor mais puro
que repousa em meu regalo.

Daniela Reis

quinta-feira, 15 de novembro de 2012

O Filho da Lua


Luares de antigos temores 
dos filhos de seus descendentes
dos deuses dos raios noturnos
surgiram efeitos cedentes.
De amores então contemplados
sob o luar imponente
surgiu o filho da Lua
banhado na luz complacente.
Amado de Zeus , de Posseidon
carinho obscuro de Ártemis,
o filho da Lua tornou-se
a bênção dos homens de carne.
Cuidado e quimera em zelo
trazidos ditames de outrora
pareciam enredar os desejos
da inveja dos filhos de agora.
Não foi a lança a ferir-lhe,
não foi o fogo a queimar-lhe
foi o coração já banido
que o fez desfazer-se em pedaços.
Pedaços da alma tão pura
singela e repleta de afagos
que por vezes inebriava
o brilho da Lua de fato.
Do néctar dos deuses
quimeras de além mar
restaram apenas lembranças
de um elo a se procurar...
Do filho da Lua restou
o penar de seus últimos dias
as gotas brilhantes do choro,
da angústia por ele sentida.
Os deuses penderam-nas todas
no céu tão escuro e profundo
e as lágrimas do filho da Lua
refletem hoje as dores do mundo...


Daniela Reis

domingo, 1 de julho de 2012

LABIRINTO

Um labirinto íngreme
nos caminhos do meu coração
desfaz as paredes imensas
e as crateras que tão extensas
anseiam o fulgor da paixão.
Como um brinquedo inanimado
num canto pegando poeira
moldado à meus caprichos
sem opinião nem cadência,
és apenas alguém sem memórias
sem talentos
nem amigos.
Por fazeres de mim teu pilar
por me veres como algo a alcançar
por quereres que minh’alma esquecesse
da mente que quer navegar
fostes a imagem retida
num elo distorcido de amar.
Como um brinquedo puído
já sem mais nenhum atrativo
estiva-me o espírito lento
querendo-me sem nenhum sentido.
Num labirinto íngreme
das paredes do meu coração
remetendo aos enlaces vindouros
das veias da poesia em canção
tentas reconquistar-me
tentas novamente encantar-me...
Mas como um brinquedo inanimado
num canto pegando poeira
permaneces em meu peito escondido
sem nenhum sentimento profícuo
nem reminiscências...
Apenas fica ali
comigo a ser teu pilar
com teu sentir obsessivo
e teu riso a me perturbar....
Pena não conheceres os caminhos
do sentir de meu coração
pois as chaves não estão escondidas
são duelos gritantes da razão.

Daniela Reis









domingo, 24 de junho de 2012

AQUI JAZ






Ainda tênue

e parcimônico

reluzente...

Antônimo!

Das relíquias

dos luzeiros,

dos montantes tão ligeiros...

Vi teu fim

num calabouço...

De idéias antiquadas e abstêmias

que não ferem ,

mas desdenham teus temores...


Daniela Reis

sexta-feira, 8 de junho de 2012

A menina e o violão


Existia uma pequena
que era toda coração,
menina pura de encantos
adoradora da canção.
Respirava melodia,
transpirava acordes, sons...
Sabia que cada brisa em seu rosto
era Deus numa oração.
Certa vez viu pelo caminho
na vitrine um violão.
Seus olhos brilharam tão forte,
suas mãos tremiam ...Palpitação.
A impressão é que se ouvia
a milhas o seu coração.
Dia após dia
a menina ali parava,
olhava pensando alto
quais maravilhas o violão lhe reservava.
Ela quase podia ouvir
seu dedilhar na noite fria,
emudecendo seus medos antigos
vibrando em pura melodia.
Certo dia, encorajada,
já cansada de esperar
resolveu entrar na loja...
Sem pudores,sem temores,
e pediu pra o segurar.
Foi então neste momento
que a menina viu nascer
a vertente mais pura de amor
e a ligação a transcender.

Sentiu as cordas com calma,
e as fez soar livremente...
E foi como se os próprios anjos
estivessem fazendo arpejos.
Um instante apenas,
com gosto de eternidade.
Uma paz quase santa...
A luz em serenidade.
...
Anos passaram,
as coisas também mudaram,
e a menina por ali cresceu.
Lembrando do momento mais terno
de ligação, sinceridade e afeto
que aquela música lhe concedeu.
Até que ao passar pela loja,
viu que o violão desaparecera.
E foi quando viu na calçada
no banco em frente à entrada
uma moça com ele a tocar...
Mesmas cordas, mãos talentosas,
mas a magia perdera-se no ar.
E o mais triste era perceber,
que ele estava no seu lugar.
Que por mais que a menina quisesse
nunca aprenderia a tocar
com a maestria e o engajo
daquela moça a solar.
Porém aquela música
nunca mais se apagou,
e ainda revive a memória
de um tempo em que calou
todo o mundo ao seu redor
formando um elo de amor.


Daniela Reis

segunda-feira, 14 de maio de 2012

FEBRE


Lembranças de um dia de sol
sozinha em um quarto sombrio
amargando as paredes frígidas
refletindo meu corpo febril.
Febre seca,
desalenta...
Alma dócil estirpada.
Da doce mente inocente
sobra o resto de nada
Febre,
dor contínua,
repulsiva...
Das lembranças:
Inativa
Insensata mente inútil
crê vencer a escuridão,
não percebe que a doença
tem uma nova dimensão.
O sol não mais me aquece
nem percebe que meu corpo perece
A repulsa, o remorso:
Não fogem...
Só crescem.


 

domingo, 6 de maio de 2012

MENINA DAS FLORES


Nasceu: Pura esperança
de um futuro promissor...
Ganhou de tudo, de todos,
o mais generoso amor.
Infância regada à magia;
das asas da imaginação
sabia-se já de outrora
que era menina em flor.
Andava de pés descalços,
sentindo o chão, a terra,
falava com o vento, com as aves,
transbordava a primavera!
No auge da juventude
percebe-se inibida
diante das novas cores
e armadilhas da vida...
Sorriu...
Com as flores dava certo...
As flores sempre entendiam
suas dores...
Seus amores...
Mas o mundo a julgava ingênua
por ainda falar com as flores.
Agora escrava da dor
mantém-se distante de tudo,
calada em seu próprio mundo
para os outros: absurdo!
A menina das flores, do vento,
das cores, das estações,
tornou-se inerte a tudo:
Até às suas emoções...

PULSA


Com olhos de águia
 a me vigiar...
Pesadelos antigos
a me perturbar.
As luzes estranhas
evocam a morte,
nas minhas fobias
procuro ser forte!
Os pulsos resgatam
a insanidade refeita,
e as marcas me mostram
a saída perfeita.
Em insignificância tamanha
esta eu não pude alcançar
nem mesmo os cortes profundos
fiz de modo a expirar.
O sangue vertendo impuro,
e as asas fazendo-me flutuar,
deixando-me livre enfim
no universo a voar.
Alma leve
vai solta no espaço...
distante da águia
e suas garras de aço.
Não mais pulsa...
Verte...
Já não faz mais diferença:
Esquece!



segunda-feira, 30 de abril de 2012

AMOR MEU





Embala o riso leve
da tua face
amor meu.
Distingo a pureza da brisa
que paira em teu peito suado
das palavras doces e ternas
nas noites enluaradas.
Embala assim em meu peito
todo amor que me acomete
amor meu.
Acalenta com teus beijos
meus abraços,
e meu espírito que inteiro
ainda é teu!