sábado, 1 de setembro de 2012

Soneto do Maior Amor

 
Maior amor nem mais estranho existe
Que o meu, que não sossega a coisa amada
E quando a sente alegre, fica triste
E se a vê descontente, dá risada.

E que só fica em paz se lhe resiste
O amado coração, e que se agrada
Mais da eterna aventura em que persiste
Que de uma vida mal-aventurada.

Louco amor meu, que quando toca, fere
E quando fere vibra, mas prefere
Ferir a fenecer – e vive a esmo

Fiel à sua lei de cada instante
Desassombrado, doido, delirante
Numa paixão de tudo e de si mesmo.

 
           Vinícius de Moraes

Soneto de Corifeu (da peça Orfeu da Conceição)

 
 
 
São demais os perigos desta vida
Pra quem tem paixão principalmente
Quando uma lua chega de repente
E se deixa no céu, como esquecida
E se ao luar que atua desvairado
Vem se unir uma música qualquer
Aí então é preciso ter cuidado
Porque deve andar perto uma mulher
Deve andar perto uma mulher que é feita
De música, luar e sentimento
E que a vida não quer de tão perfeita
Uma mulher que é como a própria lua:
Tão linda que só espalha sofrimento
Tão cheia de pudor que vive nua.
 
 
Vinícius de Moraes

domingo, 26 de agosto de 2012

Hoje é Outro Dia

 
 
Quando abro cada manhã a janela do meu quarto
É como se abrisse o mesmo livro
Numa página nova…
 
 
 Mario Quintana
(Poema publicado originalmente no livro A Cor do Invisível, retirado de Poesia Completa – Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 2005, p. 855)

A saudade

 
 
 
 
 
A saudade é o que faz as coisas pararem
no Tempo.
 
 
Mário Quintana
 
(poema do livro Preparativos de Viagem, retirado de Poesia Completa – Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 2005, p. 773)

sábado, 25 de agosto de 2012

Se cada dia cai

 
 
 
 
Se cada dia cai, dentro de cada noite,
há um poço
onde a claridade está presa.
há que sentar-se na beira
do poço da sombra
e pescar luz caída
com paciência.
 
Pablo Neruda