sexta-feira, 26 de abril de 2013

TREJEITOS



O espelho de minha alma
percorre o impuro e o hostil
com o enegrecer dos teus delitos
refletindo teu corpo febril.
Os quereres mais volúveis
das sagas de puro anseio
rutilam novos viveres
massificam, apenas desdenham.
Meus quereres são escombros
que restaram em meu peito
que buscam um trejeito
de usurpar nova cadência
de abdicar de seu passado
de reacender-se em pura essência.
Reflete as mesmas trilhas
as mesmas nuances de outrora
tropica nos mesmos artífices
revive as mesmas memórias.

“Desencarcera os temores
ó astro rei e redentor!
Apascenta meus brados de angústia
retém meus anseios de amor...”

Daniela Reis

quarta-feira, 24 de abril de 2013

PROFUNDEZAS




Profundezas inexatas

tais quais almas renegadas.

Solidão abismo inerente

de tais sonhos...Indiferente.
 
Oceano impregnado

de diferentes emoções,

no ápice da loucura

as mais puras sensações...

Amar... Viver...

E do nada surpreender!

Do coração, mar de silêncio

nascem novos sentimentos...

Seus segredos obscuros

permanecem a esperar

pelo mágico (quem será?)

que a eles irá desvendar.

Daniela Reis

domingo, 21 de abril de 2013

DO AMOR





Tão simples,
Singelo...
Quão temente por ti espero!
Ambígua luta
que em disparate,
revira as lendas,
afetos...
De tudo aquilo
já antes desperto.
Amor,
de luxúria,
de laboriosa censura.
Dele estende a ti
meus quereres mais ousados,
meus desejos rebuscados
já de outrora desejados.
De singelo basta o sol
que tão simples desenhado
reflete o amor mais puro
que repousa em meu regalo.

Daniela Reis

sábado, 20 de abril de 2013

TORMENTA



Quantas vezes eu quis carregar no colo
sem forças pra poder pedir,
quantas vezes quis abraçar bem forte
ou te ver apenas sorrir...
Afinidade não se escolhe
não se define...
Apenas acontece e se soma
é bem querer e carinho.
O tempo escarnece de nós
meros mortais desmedidos
e brinca como que com fantoches
a perecer ao destino.
E nas horas em que parece
que não tem mais pra onde fugir
e que as paredes se fecham
sufocando o que ainda senti
me apego às boas lembranças
dos momentos puros da infância
e das coisas que já vivi.
Me apego aos amores e amigos
ao sol que ainda nasce e se põe
aos velhos e bons livros...
Se acaso estiveres triste
lembra que a saudade é eterna
mas a lembrança acaricia e acalenta
e eu estou aqui
pra aquietar a tormenta.


Daniela Reis




terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

CLARISSE


Clarisse está sentada no seu quarto
com seus discos e seus livros
lustrando seus sapatos
e ouvindo Beatles.
Demora a dormir
quando se põe a pensar
lembra dos trabalhos da aula
e das contas pra pagar.
Acorda Clarisse! É hora de trabalhar!
Às vezes se corta no banheiro
depilação é cara,
ela usa gilette mesmo.
E sai de cabelos molhados se sentindo limpa
com a alma lavada
pronta pra enfrentar
mais um dia de gente grande
mais uma descoberta, um despertar.
O mundo continua sempre o mesmo
mas Clarisse desconstrói o céu
e o recria com seus próprios dedos.
Três pontas? Um quadrado?
Não!
Clarisse o faz redondo
como a sua cara de lua.
Ah! O céu e sua imensidão!
E quando chega o fim do dia
e ela só pensa em descansar
olha para o céu e vê a lua
puro brilho a iluminar
e reza baixinho
e agradece
por tudo que a vida lhe dá.
Clarisse é um pássaro
se a trancam na gaiola
fecha os olhos com força
e tudo em torno de si se transforma.
Clarisse não tem mais 14 anos.


Daniela Reis